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eu vou ser feliz, e vocês?

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alexandre:
quando tinha 16 anos sonhava um dia conseguir largar o sistema e quando fosse mais velho, mais sábio, cultivar uma pequena quinta à beira-mar, muito simples, muito pacata, não sei porquê idealizava que fosse num lugar remoto no Chile, um ideal de novo mundo talvez, começar do zero num local onde o impacto societal fosse menor do que aquele que sentia no antro infernal da europa ocidental. Solitário, em paz comigo mesmo, sem irritações nem stresses nem preocupações e poder nunca pensar em dinheiro, afastar-me da sociedade moderna comatose e cancerosa que rouba o mais bonito da existência e coletiviza, imperialmente, um estilo de vida baseado na eficácia em detrimento da felicidade individual. Sonhava poder alcançar a plenitude espiritual sem que o consumismo e a pressão da sobrevivência pelo trabalho tivessem um impacto constante na minha saúde mental. Hoje, 11 anos depois, concluo que falhei redondamente. A minha vida foi até agora uma constante luta entre o que sou e o que se espera que eu seja, entre o real e o fingido. Sim, até agora. Marquei Setembro como o mês em que largo tudo, todas as minhas posses, todo o meu dinheiro, todos os meus vícios e ações inúteis que não me definem como pessoa mas sim como uma mera parte da metástase que é a vida em sociedade no nosso planeta. A Terra é a minha nova cidade, os meus pés o meu único modo de transporte, as bagas e as frutas e os vegetais a minha subsitência, a civilização o meu némesis. O meu suor terá destino, e o destino será o meu futuro, o meu melhoramento, a minha felicidade. Não podemos evitar quem somos. A singularidade de cada um é o caminho para a realização, o medo da individualização não devia ter lugar em nenhum lado que abrigue vida humana. Não tenham medo de quem são. Abracem-se, amem-se, abram os olhos e a mente, não afastem o que é diferente, não assimilem a civilização. Somos todos outros.

Arbeit macht keine Freiheit

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